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13 Animes que se Transformaram em Obras-Primas com o Tempo

13 animes que se tornaram obras-primas absolutas

O universo dos animes é vasto e, por vezes, algumas produções passam despercebidas no lançamento. Elas podem ter uma estética diferenciada, um tema mais de nicho ou simplesmente não fazer o sucesso esperado na época. Com o passar dos anos, no entanto, muitos fãs descobrem que elas são excelentes e merecem muito mais reconhecimento. Esta é uma seleção de títulos que começaram sem grande destaque e hoje são considerados verdadeiras joias, cada um com seu próprio brilho.

Ping Pong the Animation

Peco e Smile são amigos de infância que praticam tênis de mesa. Enquanto Peco é extrovertido e confiante, Smile é quieto e tecnicamente impecável. Uma lesão e a pressão das competições alteram a dinâmica entre eles. A animação utiliza traços simples e deformados para transmitir movimento e emoção como poucas. Cada partida parece pulsar com vida. O visual pouco convencional e o foco em um esporte menos popular no ocidente deixaram o anime meio esquecido. Hoje, é considerado uma das melhores obras esportivas já produzidas, pela profundidade dos personagens e pela direção impecável.

Gankutsuou: The Count of Monte Cristo

Esta adaptação do clássico de Alexandre Dumas troca o cenário histórico por um futuro de ficção científica repleto de cores e texturas ousadas. A história acompanha Albert, um jovem que se envolve com o misterioso Conde de Monte Cristo e acaba descobrindo uma trama de traição que atinge sua própria família. O conde, claro, está ali para acertar contas antigas. O que chama a atenção é o estilo visual, que mistura animação 2D com padrões fixos nas roupas e cenários, criando um efeito único, quase hipnótico. Na época do lançamento, muita gente estranhou essa escolha estética, o que ajudou a deixar o anime de lado. Ainda assim, a narrativa de vingança é sólida e envolvente, com reviravoltas que prendem do início ao fim.

ODDTAXI

ODDTAXI surgiu com um visual simples, personagens antropomórficos e um taxista morsa chamado Odokawa como protagonista. A premissa parecia apenas um slice-of-life excêntrico com conversas aleatórias entre passageiros e motorista, nada que chamasse muita atenção em uma temporada cheia de isekais e shonens. Conforme os episódios avançam, as conversas aparentemente banais vão se conectando em uma teia de mistério envolvendo desaparecimentos, yakuza, redes sociais e segredos pessoais. Tudo converge de forma tão precisa que o final dá a sensação de que cada detalhe estava planejado desde o começo.

Moribito: Guardiã do Espírito

Baseado em romances de Nahoko Uehashi, o anime segue Balsa, uma guerreira nômade que carrega o peso de vidas que tirou no passado. Ela aceita proteger o príncipe Chagum, que está possuído por um espírito da água e é perseguido por seu próprio império. Os dois precisam sobreviver enquanto desvendam o mistério da maldição. A produção mistura fantasia com lutas realistas e um sistema de magia bem construído. Balsa é uma protagonista forte e reservada, que aos poucos cria laços com o garoto, mesmo tentando manter distância emocional. Por ser uma adaptação mais adulta e sem o ritmo frenético comum em muitos animes, ela não ganhou tanto destaque na época.

Puella Magi Madoka Magica

Quando Puella Magi Madoka Magica estreou, tudo indicava que seria apenas mais um anime de garotas mágicas com visual fofo, criaturas adoráveis e adolescentes ganhando poderes para lutar contra bruxas. A propaganda reforçava essa imagem açucarada, e ninguém esperava o que viria depois das primeiras cenas. A obra vira o gênero de cabeça para baixo ao revelar o custo real daqueles contratos mágicos, com desespero, sacrifício e ciclos de sofrimento. O que começa leve transforma-se em uma exploração profunda sobre esperança, egoísmo e o peso das escolhas, com reviravoltas que pegaram quase todo mundo de surpresa na época.

Mushi-Shi

Ginko é um especialista em mushi, criaturas etéreas que interferem na vida das pessoas de formas estranhas. Cada episódio traz um novo caso, geralmente em vilarejos isolados, com problemas que vão do poético ao trágico. A atmosfera é calma, quase meditativa, com cenários naturais belíssimos e uma trilha sonora discreta. Não há um arco principal, apenas histórias independentes. O ritmo lento e a ausência de ação constante fizeram muita gente pular na época. Com o tempo, virou um clássico para quem busca algo contemplativo e diferente.

Kids on the Slope

Kaoru é um estudante transferido que não tem muitos amigos até conhecer Sentaro e Ritsuko. Os três se conectam pela paixão pelo jazz, formando uma banda improvisada e vivendo os altos e baixos da adolescência nos anos 60 no Japão. A direção de Shinichiro Watanabe (o mesmo de Cowboy Bebop) dá um ritmo perfeito às cenas musicais, com animação fluida que transmite a energia das apresentações. A trilha sonora é um capítulo à parte. A obra é curta e focada em relações humanas, sem grandes conflitos épicos. Isso fez com que passasse meio despercebida entre os shonens mais barulhentos da época.

The Tatami Galaxy

Um estudante universitário sem nome refaz os anos de faculdade várias vezes, tentando escolher o clube certo para ter a vida perfeita e conquistar a garota dos sonhos. Cada loop mostra uma versão diferente da mesma história. A animação é rápida, colorida e cheia de diálogos acelerados. O visual e o ritmo exigem atenção, mas recompensam com reflexões sobre escolhas e arrependimentos. Por ser experimental e filosófico, não agradou todo mundo de imediato. Quem persiste encontra uma das críticas mais inteligentes sobre a juventude e as ilusões que carregamos.

March Comes in Like a Lion

Rei Kiriyama é um jogador profissional de shogi ainda adolescente, mas vive isolado depois de perder a família. Ele encontra acolhimento na casa das três irmãs Kawamoto, que o tratam como parte da família e ajudam a lidar com a solidão. O anime alterna momentos pesados de depressão e pressão competitiva com cenas quentes e cotidianas cheias de carinho. A animação usa metáforas visuais inteligentes para mostrar o estado emocional do protagonista. Por tratar de um esporte de tabuleiro pouco conhecido fora do Japão e ter um tom melancólico, não explodiu logo de cara.

Welcome to the N.H.K.

Tatsuhiro Satou é um hikikomori (isolamento social extremo) convicto que culpa uma suposta conspiração chamada N.H.K. por sua reclusão. Misaki, uma garota misteriosa, aparece oferecendo ajuda para ele voltar à sociedade. O anime trata de depressão, ansiedade e isolamento com humor ácido e momentos bem duros. Não romantiza o problema, mas mostra caminhos possíveis de saída. O tema pesado e o protagonista pouco heróico fizeram a série ficar num nicho específico. Hoje é vista como uma das abordagens mais honestas sobre saúde mental na animação japonesa.

Baccano!

A obra joga o espectador em 1930, numa bagunça envolvendo imortais, mafiosos, ladrões e um trem maldito. As histórias se entrelaçam de forma não linear, pulando entre personagens e épocas sem aviso prévio. O tom é uma mistura louca de violência cartunesca e humor negro. Cada personagem tem sua própria motivação, e acompanhar como tudo se conecta é parte da graça. O estilo caótico e a quantidade de personagens assustaram parte do público na época, mas quem embarca na viagem acha uma das narrativas mais criativas do anime.

Barakamon

Seishuu Handa, um calígrafo talentoso mas arrogante, é mandado para uma ilha remota depois de perder a cabeça numa exposição. Lá, ele vira alvo das travessuras das crianças locais, especialmente da pequena Naru. A convivência com os moradores simples e barulhentos muda aos poucos a forma como Handa vê a própria arte e a vida. A caligrafia dele ganha mais personalidade à medida que ele se solta. A obra é leve e engraçada, com um fundo de reflexão sobre inspiração e comunidade. Por ser mais slice-of-life rural, não caiu no gosto de muitos, mas conquistou um público fiel.

Ranking of Kings (Ousama Ranking)

Ranking of Kings estreou com um traço que lembra livro infantil, apresentando linhas grossas, cores suaves, um príncipe pequeno e aparentemente frágil chamado Bojji que é surdo e não fala. Muitos espectadores ligaram achando que seria uma aventura leve para crianças e desistiram logo nos primeiros minutos. A obra revela aos poucos um mundo cruel cheio de preconceito, traição política e violência, mas também de lealdade, crescimento e superação. Bojji, mesmo sendo considerado inútil por quase todos, mostra uma determinação silenciosa que conquista quem acompanha sua jornada ao lado do amigo Kage. O contraste entre o visual delicado e os temas pesados foi o que mais surpreendeu. O anime cresceu boca a boca, virou um dos mais elogiados e hoje é frequentemente citado como exemplo de como aparência pode enganar, tanto na história quanto na própria obra.

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