Ex-diretor revela que Grand Theft Auto quase foi ambientado no Japão e em outras cidades globais
Com exceção de uma viagem a Londres em 1997, a série Grand Theft Auto sempre se manteve em versões fictícias de cidades americanas. No entanto, houve um momento em que a famosa franquia de crime da Rockstar poderia ter se tornado tão global quanto outras séries de sucesso. De acordo com Obbe Vermeij, ex-diretor técnico da Rockstar North, o estúdio chegou a considerar diversos locais internacionais ao longo de sua história. Em um determinado ponto, um jogo da série ambientado no Japão esteve muito perto de se tornar realidade.
‘Tínhamos ideias para títulos de GTA no Rio de Janeiro, Moscou e Istambul’, revelou Vermeij em uma entrevista. O profissional ingressou na Rockstar North em 1995, quando ainda era conhecida como DMA Design, e contribuiu para o desenvolvimento de GTA 3, GTA 4, Vice City e San Andreas.
‘Tóquio quase aconteceu de verdade’, ele complementou. ‘Outro estúdio no Japão iria produzi-lo, pegando nosso código para criar GTA: Tóquio. Mas, no final, isso não se concretizou.’
Segundo Vermeij, a razão para esses cenários não terem sido escolhidos foi a percepção da Rockstar de que locais com temática americana eram uma aposta mais segura. ‘As pessoas adoram ter essas ideias criativas, mas quando você tem bilhões de dólares em jogo, é muito mais fácil dizer ‘Vamos fazer o que já conhecemos novamente”, explicou. ‘Além disso, os Estados Unidos são basicamente o epicentro da cultura ocidental, então todo mundo conhece suas cidades, mesmo quem nunca esteve lá. As pessoas têm uma imagem mental delas.’
Questionado se a Rockstar poderia ambientar um futuro GTA fora dos EUA, Vermeij afirmou que é altamente improvável, considerando os longos ciclos atuais de desenvolvimento da série. ‘Simplesmente não é realista. Eu adoraria, e se os jogos ainda levassem um ano para serem feitos, então sim, claro, você poderia se arriscar. Mas isso não acontece quando há um novo GTA a cada 12 anos’, disse ele. ‘Você não vai ambientá-lo em um local totalmente novo. E você também não precisa, porque a tecnologia muda tanto.’
Da mesma forma, Vermeij não acredita que veremos outro GTA ambientado em uma época alternativa, como foi o caso de Grand Theft Auto 2, embora por motivos diferentes. ‘A equipe que fez o GTA 2 odiou a experiência’, ele conta. ‘Eu não estava diretamente nesses projetos, mas minha equipe ficava bem ao lado da deles, então eu ouvia todas as discussões e reclamações. Eles não gostavam da ideia de ir para o futuro porque tinham que reinventar tudo, como as armas funcionariam e outros detalhes.’
Com tudo isso dito, Vermeij acredita que, com franquias inspiradas em GTA, como Watch Dogs ou Saints Row, tendo perdido um pouco de força, há uma oportunidade para desenvolvedores fora da Rockstar explorarem essas ideias. ‘Hoje, basicamente só existe o GTA, e todo mundo desistiu de competir’, ele observa. ‘Talvez você possa ambientar um jogo no futuro, ou em Moscou, ou algo assim. Eu diria que é uma oportunidade, mas acho que todo mundo está meio que com medo de enfrentar o GTA.’
Além disso, também há uma percepção de que Grand Theft Auto está intrinsecamente ligado a ser uma sátira da cultura americana, o que dificultaria sua expansão para além dessas fronteiras. Lançar o mesmo olhar crítico sobre um país diferente seria complicado sem parecer que está atacando um alvo mais vulnerável. A exceção seria o Reino Unido, já que é onde a Rockstar North está sediada. Mas a Rockstar simplesmente não parece interessada em revisitar Londres ou explorar outras cidades britânicas.
Será interessante observar como Grand Theft Auto 6 abordará essa questão, considerando o quanto o mundo mudou desde o lançamento de Grand Theft Auto 5. A menos que haja novos adiamentos, descobriremos exatamente o que a Rockstar preparou durante todos esses anos em novembro do próximo ano.
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