Controvérsia em MMORPG: Editor de Personagens Gera Debate sobre Ética e Direitos de Imagem
Uma nova polêmica envolvendo um popular MMORPG reacendeu discussões sobre limites éticos e legais em jogos online. Jogadores têm utilizado o avançado editor de personagens do título para criar representações extremamente fiéis de celebridades da vida real, incluindo ídolos menores de idade, e comercializá-las dentro da loja interna do jogo. O caso já levanta alertas sobre possíveis crimes sexuais digitais e violações de direitos de imagem.
Lançado na Coreia do Sul e em Taiwan em novembro de 2025, o jogo ainda enfrenta uma recepção turbulenta. Além das críticas ao modelo de monetização, o título agora se vê no centro de uma controvérsia mais delicada. Usuários estariam vendendo configurações de personagens claramente inspiradas em celebridades coreanas, frequentemente usando seus nomes reais, e aplicando trajes altamente sexualizados disponíveis no próprio jogo.
A situação ganhou ainda mais repercussão após uma análise de um advogado sul-coreano especializado no setor. Segundo ele, esse tipo de conteúdo pode extrapolar o campo da ‘liberdade criativa’ e entrar na esfera de crimes sexuais digitais, especialmente quando envolve menores. Embora os personagens sejam modelos 3D, o especialista explica que a legislação relacionada a deepfakes não se limita à técnica usada, mas à forma como o material é reconhecido e interpretado pelo público.
Em termos práticos, se um personagem é amplamente identificado como uma pessoa real e exposto de maneira sexualizada, isso pode ser entendido como humilhação ou exploração sexual, mesmo dentro de um ambiente virtual. Além da esfera criminal, o advogado aponta que processos civis por violação de direitos de personalidade e uso indevido de imagem seriam altamente prováveis, sobretudo quando os criadores obtêm ganhos financeiros ou visibilidade com esse tipo de conteúdo.
Outro ponto sensível envolve a própria desenvolvedora do jogo. De acordo com a análise, a empresa não estaria totalmente isenta de responsabilidade. Como controla os dados exibidos na loja interna e lucra tanto com a venda das configurações de personagens quanto com os trajes que permitem essas representações, a desenvolvedora poderia ser considerada corresponsável caso fique comprovado que tinha conhecimento do problema e não tomou providências.
Até o momento, não há ações judiciais formais contra jogadores ou contra a empresa. Ainda assim, parte da comunidade cobra uma postura mais firme da desenvolvedora para coibir práticas que possam causar danos psicológicos e exposição indevida a celebridades.
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